Quando meus pés acordam,
ainda limpando os olhos,
conseguem ver o invisível

que se fixa entre o real e o sonho.
Saem serelepes da cama,
entram na velha sandália de asas
e abraçam o mundo, como
se fosse só seu.
À noite, depois de roubar
o viço do dia, correm serpenteando
para seu lugar de aconchego:
lembram das vozes de outros pés,
da imagem de cada rosto,
do jeito sóbrio e lúgubre
de quem se esponja na palavra
o dia inteiro, e diz:
“Quero a extensão da minha liberdade”.
E, entre as letras e os fonemas
dormem o seu sono sagrado.
Maria Maria
3 comentários:
A cada momento, você me surpreende mais e mais. Um beijo.
Belo poema. Adoro vir aqui.
Volte sempre, amigo! A casa é sua! Beijos
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