sábado, 29 de novembro de 2008

Dúvidas

Às vezes duvido do poder
do pensamento
e, tal qual pássaro amarelo,
duvido do azul do céu,
do brilho das estrelas,
do reflexo do sol,
do raio e da luz.

Duvido da ânsia
de ser humana no universo
da mulher moderna.
Duvido da fúria do trovão,
da sede que sente o cacto,
da dor de tornar-me obsoleta
em décadas futuras.

Duvido do viço da minha pele
inabitada por fendas oblíquas,
do suor que desliza rio
pelo meu corpo.
Duvido do que sou nessa hora
sem tempo.
Duvido do tempo.

Tenho apenas uma única certeza:
Um poeta dorme em mim,
em dúvida.

Maria Maria

3 comentários:

rio.gomes disse...

Sem sombra de dúvida, Maria, o poeta em ti é certo como o rio que desliza corpo abaixo. Um abraço!

Mulher na Janela disse...

lindas indagações...porque humanas.

beijos...

Iara

J.R. Lima disse...

Como disse um aluno, há tempos: "A ignorância não gera dúvidas"

lindo e sábio, o poema.