domingo, 27 de março de 2011


Menino alígero

Há um menino alígero
recriando ficções!

E que ficciona
meu não querer.

Em minha direção
sua seta grávida de amor
serpenteia na busca de acertar o desamor.

Não estou fértil nesses tempos:
o amor não pode ser gerado no útero
do meu peito. Agora.

Espero a festa da fertilidade!
A celebração será festejada
quando a mesa estiver posta.

Maria Maria

Foto: http://reuniaodoclube.blogspot.com

sexta-feira, 18 de março de 2011


Sentidos sentidos

Ainda permanece avoante
o teu cheiro, o teu pelo fino
sobre a cadeira

Ainda vive o sussurro
último e íntimo
de tua voz

-em meu ouvido-

Ainda regozijam
as batidas do meu coração
em teu compasso

Ainda há água sobre a água
de minhas nascentes
que te banham

Resta-me inteiro
em cada poro e em cada esfera
de mim.

Maria Maria

Foto: net

sábado, 12 de março de 2011

Telefonema

Liguei para o passado certa manhã adormecida:
telefone vermelho
de círculos numerados.

Fiz a lista das consultas
- no oráculo do tempo-
e refiz minhas leituras.

Ao olhar para trás,
não virei pedra.
O passado Já havia adormecido.

Como aquela manhã que dormira silenciosa
tomei o prumo do vento
e segurei as rédeas do meu futuro.

A estrada é longa,
mas meus pés estarão firmes
para a caminhada.

Maria Maria

Homenagem ao Dia 14 de março - Dia internacional da Poesia

sexta-feira, 11 de março de 2011


DIA DA POESIA EM CURRAIS NOVOS - 14 DE MARÇO DE 2011


O Grupo Casarão de Poesia e artistas curraisnovenses farão homenagem ao Dia da Poesia com caravanas e apresentações ao ar livre, além de mesa redonda. Na ocasião o poeta Antonio Francisco, de Mossoró participará como mestre e representante do movimento cordelista durante todo o dia de segunda-feira. O poeta foi escolhido para o ano de 2011 haja vista que em 2010 o tema foi a Poesia de Zila Mamede. Toda a comunidade está convidada a participar deste evento para o fomento da cultura potiguar.

Por Maria Maria

domingo, 6 de fevereiro de 2011


Domingo pela manhã

Embora seja domingo
e eu não lhe sinta empatia
e nem goste se seus sabores,
não ausento-me,
estou manhã, hoje!

Maria Maria

domingo, 30 de janeiro de 2011


Palavras

Hoje percebi que as palavras
se colocam.

Não sou eu quem as pronuncio
ou escevo.

As palavras se espremem
-muitas vezes-
em meio a pensamentos.

E acabo pensando que
duelam comigo.Talvez!

Porém, nesse jogo,
quem dá as cartas sou eu:

a ponte,
o veio,
o rio,
a enchente.

Só navegam em minhas margens
o que eu determinar como galho,
como tronco e suporte para
uma realidade inteiramente pessoal.

Maria Maria

domingo, 26 de dezembro de 2010


Lobos e flores

Estar entardecida
é a primeira pétala
da manhã.

Manhã que
anoitece e sombra,
que vagueia e faguz.

Manhã que amadurece
nas folhas do amanhecer
e que se veste de santa.

Manhã desengravidada
de dores de parto
(rebentada)

Manhã em cio
noite miada onde
uivam lobos e flores.

Maria Maria

sábado, 18 de dezembro de 2010


O gosto da infância

As minhas infâncias
têm cheiro de capim
adoçado com água de chuva.

Tem João, o doido, criando
e recriando-se nas nossas
imagens matinais.

Tem sapatos e roupas novas,
sinos na decoração da casa
e a luz do tempo natalino.

Tem também azedinhas verdes
e ardentes nas tardes em
que o tempo se finda.

Tem a indefinção solitária
da aparência temporal que
se configura em retratos subjetivos.

Tem, enfim, toda a dor e a ausência
e, perene, o verdadeiro sentido
da vida.

Maria Maria

Imagem da net

sexta-feira, 19 de novembro de 2010


Substantivo abstrato

Ausentei-me esses dias
de minhas verdades
- e tornei-me águia.

Naveguei as águas
que choram das flores
- e me perdi.

Tornei-me ninfeta
dos anos maduros
- e virei sentimento.

Sou saudade
que goteja dores pelas paredes
- internas da alma.

Maria Maria, in Outônicas

domingo, 31 de outubro de 2010


Arqueira

Tentei ser arqueira
a vida inteira,
o tempo todo, eu juro!
Mas as flechas sorrateiras
só acertavam o escuro.

Maria Maria

terça-feira, 12 de outubro de 2010


Alquimia das flores

Na mesinha
de madeira umburana:
um buquê
de flores plásticas,
vindas do expurgo
da falsa floricultura.
As flores chegadas eram alquímicas
como o meu coração renovado.

Maria Maria

sábado, 18 de setembro de 2010

Voz

Tomara em Deus
Que o silêncio insípido
De tua voz
Não me roube
Os sentidos.

Maria Maria

sexta-feira, 3 de setembro de 2010


Alma de pedra

Tangível ou intangível
minha alma flutua
entre as flores como
um barco navega
entre as cores.

Maria Maria

Foto: Luiz Gustavo - Currais Novos, RN

quinta-feira, 19 de agosto de 2010


Manhã

Estavas folha, esta manhã
e sorrias para meus olhos
-nada azuis-esverdeados-,
mas de caule seco.

E me dizias sereno
que a manhã
nascera para mim.
(Nem entendo muito de manhãs)

O meu tempo é de um noturno indefinível,
mas noturno.
O meu tempo é dialético
e furta-cor.

Um caleidoscópio
que só tem sol
ou uma colorida manhã
a mim desconhecida.

Maria Maria

sexta-feira, 13 de agosto de 2010


Plantação

O agricultor plantou um verso:
regou cada palavra,
arou a terra,
preparou o chão,
deixou brotar
(um botão)

Aí, veio a inundação!

Que pena!

O agricultor lamentou,
sentiu,
chorou,
praguejou o mau tema:

?
!

E viu que é mais fácil
plantar algodão
do que escrever um poema.

Maria Maria

quarta-feira, 4 de agosto de 2010


Cama de boa-noite

Uma cama de boa-noite
estendia-se sobre aquela
esquina entardecida.

E girassóis e pássaros
e cânticos e louvores
abriam-se:

como se abre
uma flor ao romper
das noites seridoenses.

Maria Maria

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CANÇÃO DO TEMPO DOCE

À segunda hora da tarde
o quebra-queixo
é vendido pelo doceiro,
e o tempo doce de coco,
o tempo ameno de amor
vai se desmanchando
em guloseimas e babas
que escorrem pelo canto
mais escondido,
da boca.

Maria Maria

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Queridos amigos,

Hoje não tem poema, mas tem prosa!
Nasceu um novo blog, desta vez mais
chocalhento e falador.
Espero a visita de todos na nova
casa. Entrem, liguem o rádio e
saboreem esse novo espaço.

Grata,

Maria Maria
http://bebiaguadechocalho.blogspot.com/

domingo, 18 de julho de 2010


lembranças do ontem

Eu me dizia longe
-ontem-
havia me desconstruído
um pouco em retalho.

Agora,
com toda uma alegoria
-nova-
me construo e me refaço.

Maria Maria

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Esse poema precisava
cair aqui!

AVIDEZ

E eu que imaginava
Estar chegando ao fim,
Tu vens e inauguras
Outra vida em mim.

Francisco Alves C. Sobrinho