sábado, 29 de maio de 2010


Mariasas

Voa, Maria!
Dá horizonte azul às tuas asas!
Releva teus espantos
Revela teus encantos
Desfaz com um poema
os tais quebrantos.
E traz o teu sorriso desse tanto.

Chicosol (Chico Alves)Natal-RN

sexta-feira, 28 de maio de 2010


Bagagem

Trago na mala de viagem
um pouco de cinza:

na mão, um punhado
(de algodão),
um cheiro de terra
materna,
um amuleto de xelita,
um vestidinho de chita
bordado com imensidão,
trago também um baião,
amarrado na cintura,
um pouquinho de amargura
derramado pelo chão.

E se mal já fiz um dia
trago um pouco de alegria
e a certeza do perdão.


Maria Maria

sábado, 15 de maio de 2010


Metades

Minhas duas metades
são medidas pela metade.

Metades temporais
e antagônicas.

A metade de antes
é doída e doida.

A metade de hoje,
não se sabe.

É, acima de tudo:
metade.

Maria Maria

Foto: web

sexta-feira, 7 de maio de 2010


Um poema- resposta para uma criança
que perguntou ao poeta como era ser pássaro

Ser pássaro é assim:
come o que deseja,
pula de galho em galho,
canta em assembléia,
ouve o canto de outros pássaros,
mora em qualquer lugar
e leva no seu pequeno coração
a morada da liberdade.

Maria Maria

terça-feira, 4 de maio de 2010


Acúcar

O mel só tem
sentido se adoçado
com o açúcar de
tua boca.

Maria Maria

* Esse poema também está no blog
www.naspontasdosversos.blogspot.com

domingo, 2 de maio de 2010


A quarta

Para meu vô, Justino


A quarta de vovô
não era a quarta-feira
de cinzas.

A quarta de vovô
não era de tintas.

A quarta de vovô
guardava a água
todos os dias.

Não era uma quarta parte
do todo

Era uma quarta
onde havia guardada nela:
água, amizade, saudade, alegria.

Maria Maria

sexta-feira, 30 de abril de 2010


E Maria José Mamede completou:


O vento canta, ainda,
o barulho das águas
no riacho;
quando empurra maretas no açude
e as ondas crespas do mar.
Ele canta e encanta
quando mistura-se à chuva caindo
e cria e recria os rodamoinhos
girando, girando...

Maria Maria

* Isso tudo enquanto o vento me cantava palavras.

sábado, 24 de abril de 2010

quarta-feira, 14 de abril de 2010



Colonização


O índio fechou a toca,
a índia fez a rodilha de tapioca:

O índio disse ao Brasil
-no seu indianês-
que a nata grossa
do colonizador português
podou-nos da cultura nossa.

O índio fechou a toca
- pela última vez-
quando a índia
fez tapioca
para um holandês.

Maria Maria

Imagem da Net
Homenagem ao índio brasileiro (19 de abril), embora todos os dias sejam dias de índios.

sábado, 10 de abril de 2010


Inanimados

No canto mais singular de tua boca
nascem sorrisos sem fonte.

Tão inanimados!
Tão fora do contexto!

Chego a pensar:

__ Serão meus olhos que estão cegos?
Ou meu coração perdeu os sentidos?

Maria Maria

sábado, 3 de abril de 2010

Rompimento

Quando me impediram de falar,
silenciei.

Quando me imperdiram de gritar,
ocultei-me.

Quando me impediram de ser quem eu sou,
tirei todas as minhas roupas e

andei nua pelo mundo.

Maria Maria

quinta-feira, 4 de março de 2010


Cartas
Ao poeta Fernando Pessoa

Não fiz cartas pessoanas
(as ridículas)
Mas tenho a caixa de Pandora
-falsa!-
do tempo em que era jovem:
textos, poemas, cartões postais...
O carteiro sempre me trazia cartas
"ridículas" e estão todas silenciosas
na caixa velha de Pandora.


Maria Maria

terça-feira, 2 de março de 2010


Instantes de querer

Quero o minuto que se inscreve
para dizer-me.

Quero o instante que inicia,
recriando-se.

Não quero prever o amanhã
ele terá seus próprios instantes.

E então estarei livre
do tempo que se foi.

Se a vida não me permitir outros instantes
terei, ao menos, um poema escrito que diz:

__Fui eternamente feliz!.

Maria Maria

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010


Desalinhos


Queria desenhar o mundo
e nele, fazer-me adolescente
ou ninfa
dos Contos de Fada.

Mas meus desenhos
nem sempre seguem o Norte,
não entendo muito de direções
ou de bússolas.

Queria desenhar o mundo e não mostrar
seus efeitos colaterais: Vulcões, terremotos
e acontecimentos naturais que solidificam,
como amálgama, a doce idéia de mundo.

Mas eu posso desenhar o meu mundo
quando colaboro com a minha aldeia.
posso sim permitir que a folha da minha acácia
fique onde está.

Posso permitir que as formigas
- carregadoras de folhas-
façam o seu trajeto como um pássaro
livre no céu.

Posso desenhar um mundo
mesmo que este mundo
seja a representação
do meu universo interior.

Gildecir,
Paula
Maria Maria

Poema construído a seis mãos no encontro de Língua Portuguesa
realizado pela 9 Dired nos dias 24 e 25 de fevereiro de 2010, como parte do programa Olimpíadas de Língua Portuguesa, promovidas pelo MEC.

Tela: Lírio da Paz, por Eme Gomes

domingo, 21 de fevereiro de 2010


Aurora boreal

Eu tive um tempo. Um tempo “vazio”. Não havia promessas, nem expectativas, nem sonho. Talvez poesia. Sim, poesia havia. E lembro, com certa nitidez, de um vento. Não sei bem dele, se era vento norte, sul ou estrangeiro, porém era um vento docemente sensato comigo.
Naquela época eu enfrentava leões, dragões, serpentes ou o que viesse à minha frente. Talvez fosse mais inocente e não pensasse nas conseqüências dos fatos.
Esse tempo tão livre e meu era propriedade privada e lá eu abria janelas, fechava portões, guardava as torres como a proteger-me.
Eu era muito feliz naquela estação temporal e tinha caneta, papel e imaginação.
Não cuidava do jantar e nem esperava o marido. As companhias inseparáveis e mel eram minhas asas. Sim, as asas me levavam ao relógio de Londres, aos Moinhos Holandeses e as Cataratas do Iguaçu.
Eram momentos dourados porque eu tinha 18 anos e esses eram tempos de ouro, de aurora boreal.

Maria Maria

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


Menina da Terra

Como terra que se compra,
fui lavrada numa manhã.

Não fazia sol e as nuvens
-sereníssimas-

e pouco afeitas a certos desafios
foram se dispersando:

Passarinhos e carneirinhos
transformaram-me numa menina-poesia.

Foi naquela manhã sem sol
às margens do Sertão do Seridó.

Maria Maria

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010


Fantasia

Meu carnaval acontece todos os dias
porque meus desejos experimentam
sempre uma nova fantasia.

Maria Maria

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010


Espelho das pedras

Deixava-me ver
pelas pedras-mosaicos
que serviam de palco
para os pirilampos.

Ali, fiz-me ninfa:

desenhei na areia
o teu corpo,
fazendo-te perfeito e humano
como um semideus desencantado.

Maria Maria

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010



Três quartos

De fora, postos à janela:
um lenço branco,
uma luva em renda,
um sinal de partida.

Em meus antigos olhos:
uma tarde rubra,
um certo espartilho,
uma lembrança.

Sobre meus fragmentos:
um pingo de tinta,
uma pena sem cor,
um poema.

Maria Maria

Foto: web

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010


O beijo da palavra

O beijo de Tritão
lê os meus fonemas
e ouve meus sons
de sereia.

O beijo de Zeus
em várias línguas,
faz em mim
oceano e areia.

O beijo de Eros
me despe as palavras
e a paixão, em fogo,
me incendeia.

Maria Maria

Imagem da net