sábado, 20 de setembro de 2008


Nudez

Tirei tudo de mim
nessa madrugada:
os brincos, os anéis,
as vestes de santa,
os terços, a calcinha
branca.

Maria Maria

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

ANÚNCIO CLASSIFICADO

Preciso urgentemente de um pintor:
que retoque,
toque,
pinte
o meu coração.

Preciso de um construtor
para ressurgir as ruínas

__ Vendaval que passou.

Preciso de flores na casa,
cortinas divididas

Um sino do vento
Pendurado à janela,
preciso!

Preciso de luzes de velas
para iluminar o telhado
e a mesa de jantar.

Preciso reconstruir
meu coração
com uma cama para amar

Preciso ser Cleópatra
e
em um tapete me enrolar.


Maria Maria

quarta-feira, 27 de agosto de 2008


Desejo de me perder

Vou me perder essa noite.
Não quero bússolas nem rosas
dos ventos.

Terei as estrelas, os sapos
e corujas com os olhos cheios
de lua.

Carregarei na sacola
um pouco do nada ou
tudo.

Abrirei as janelas,
Sininhos poderão entrar
com as bruxas.

Vou me perder essa noite
para me encontrar ao raiar do dia
deitada sobre uma cama de girassóis.


Maria Maria

terça-feira, 19 de agosto de 2008


Pousando

Já fiz a boa ação de hoje.
Já fui cortesã por uma noite
e já fui borboleta
em pétala de girassol.

sobre o vazio
Agora não me restam mais
dedos. Eles já sucumbiram
de solidão.

Maria Maria

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

De origem Seridó

Acho que sou de pano,
de cabelo de milho,
de bagem de algaroba,
de barro do Riacho,
de semente de algodão.

Acho que sou a goteira,
a noite e a tarde de chuva,
a aurora, a madrugada. Ou
uma boneca de pano
com sachê no coração.

Maria Maria

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Foda-se o mundo e quem vive nele

Fodam-se todos!
O ódio rasga meu peito,
sobe para a mente e me domina.
A dor que eu sinto é boa, gostosa, me fascina.
Porque os políticos mandam os pobres para
guerra em vez de irem eles mesmos?
Porque as cobras são discriminadas
porque tem veneno?
E os homens
que o veneno deles está na alma
sofrida, torturada. As mortes causadas
são piores que qualquer veneno
e mesmo assim não são discriminados.
E os negros, pobres, gays não têm direitos?
Fodam-se se todos!
Foda-se o mundo!
Vivi, cresci , envelheci, morri!!!
E nunca fui feliz!!!
Que mundo patético, cheio de ilusão!
Para que viver em um mundo
onde sonhos são apenas sonhos?
Rico: mesquinho, ganha tudo
sem fazer esforço e acha
que é melhor que os outros
a ponto de pisar em todos.
Pobre: trata bem os outros,
trabalha e sabe o sofrimento
que a vida lhe traz.
Pobre quando vira rico
muda o caráter,
fica sem amigos de verdade.
Se esquece que um dia foi pobre,
vira um mesquinho.
Rico quando vira pobre
aprende a valorizar,
não só aquilo que se tem,
mas o que está ao seu redor.
Humanidade miserável!
Cada vento é um grito,
pedindo ajuda, pois o mundo
está morrendo.
Guerras, fome, a humanidade
tem o dom de causar tristeza.
Amigos? Nunca os tive,
mas consegui sendo outra pessoa.
Mas o que isso provou?
Apenas que sou fraco.
Hoje em dia, viver não é mais um desejo
e sim um sonho ruim, esperando
que um dia eu acorde e esqueça que dormi
e que um dia eu sonhei....

Artur Gomes Guirra (14 anos)

sábado, 2 de agosto de 2008


UTOPIA

Às vezes ser pedra, queria: dura, firme e opaca. Queria ser, em certas temporadas, tão seca como uma folha outonal: stric, stric, stric...! Sem nunca ter sido primavera. Há horas em que eu gostaria de ser vidro para partir-me em fragmentos e deixar-me retesada sem a força do vento, impulsionando-me à frente. Tempo há em que a alma dilacera e o corpo chora, chora mesmo, pelos poros de uma tez amadurecida. E a chuva cai! Granizos rompem telhados que impedem uma noite de amor entre os gatos. Tudo na meia estação ou em um inverno de sentimento gélido, de amores mal amados. Mas, o verão me diz que a minha palavra nua sempre será perdoada e que, com ou sem gatos no telhado, terei uma linda noite de amor com meu parceiro imaginário.

Maria Maria

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O instante

Que doce encanto,
o instante!

Nele, desfaço o compromisso
com o próximo segundo.

E te vejo canoa
às margens de um rio.

Maria Maria

segunda-feira, 21 de julho de 2008

É tarde, amado poeta!

Dormirei nua o sono das deusas
e acordarei girassóis do eterno
estado de adormecência.

Farei o sol girar em círculos
como lobos à caça de um beijo
e alçarei vôos como as gaivotas.

Não serei a escrava de um reino
escondido. Não serei.
Mas a rainha da janela.

Embora deseje-te à hora
em que o chão dorme, não
posso me dizer mais...

É tarde, não te canses do teu tempo.
Durma, nesse meio tom.
Durma, amado poeta!

Maria Maria

domingo, 13 de julho de 2008


Dia de sal

Esse dia de sal
me apavora,
assim como as procelas
em mar alto.

Assim como o medo
noturno em forma
de fogo no meio
do chão.

Esse sol que o dia
se nomeia é a dor
de quem espera
o ser amado na escuridão.

Maria Maria



segunda-feira, 7 de julho de 2008


Para os que pensam
tal qual os índios.

Círculos

Abençoados sejam
os trovões:

o brilho semiótico nas rochas,
o olhar selvagem do céu,
o êxtase dos brotos,
a sede de romper o chão,
a ponta do verde,
os círculos de fogo.

Abençoados sejam
os relâmpagos:

o germinar dos fios,
o deitar dos rebentos,
a ereção dos bulbos,
o sopro do vento,
a boca do tempo,
as vozes da manhã.

Abençoados sejam.

Maria Maria
(das tribos do Seridó)

sábado, 5 de julho de 2008

Silo de poesia

A poesia é
um silo
de amor
que se
constrói
ao longo
da existência
humana.

Maria Maria

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Esse poema é dedicado
ao erotismo sutil dos
poetas simbolistas.


A folha e a árvore

A folha folheou-se
na árvore.

Com a canção
de Eros, erotizou-se.

Colheu a folha,
a árvore.

E a bolha, de clara
virou gota.

E o gozo
era verde-folha.


Maria Maria


Foto: charquinho.blogs.sapo

domingo, 29 de junho de 2008

Sussurros
(em estado de perfeição)

Entre um sussurro e outro:

o ar em gotas,
a alma em chamas,
os montes negros,
a voz da cama,
o beijo alado,
peito calado
e as bocas clamando.

Salivando,
salivando...

entre um sussurro e outro.


Maria Maria

sexta-feira, 27 de junho de 2008

HAICAIS (POR ADOCÃO)
OU PSEUDOS


Ventre

Ui (!)
Fechei a porta
do meu ventre.


Cone

O teu cone cilíndrico,
arredondado faz–me
louca no teu cavalo alado.

A língua

A língua é um lençol
de seda que deita
e rola no meu desejo.


Lua

Embora seja tua
dê-me nua
a lua que te dei.

Zeus

São meus os teus
olhares que os trovões
apagarão.

Fome

Se a poesia me toma
e me deseja, é porque
sou fruta na tua mesa.

Deusa

Se deusa me tomas,
me usa! Mas bebes tu
o mel que te lambuza.


Maria Maria

terça-feira, 24 de junho de 2008


Retalhos

Linha e agulha:
sinto-me!

Costuro-me, cozinho-me
em zigue-zague.

Sou o próprio retalho,
a emenda, a trama.

Sou a cama, o lençol,
a fronha.

Sou a cocha e o traço:
sinto-me!


Maria Maria

sábado, 21 de junho de 2008

Dor do deserto

Meu chão reclama
a dor do deserto.
Mas não sou o deserto
dessa areia. Ou sou?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Não abrace.
Não beije.
Não force a entrada.
Destorça na investida os sobressaltos.
Pense bem antes de usar!
Meu coração
não aceita devolução.

Poema de Renato de Melo Medeiros, poeta do vale do Assu.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Delírio ao amanhecer

Meus seios acordaram meninos.
Tão ausentes de sua essência,
involumosos,
tímidos,
miúdos.

Meus seios
(antes abóbada)
estavam virgens
de outras mãos,
olhares, desejos...

À noite
(quando a lua despertar)
meus seios tornar-se-ão
chumaço de puro algodão
e massa firme em delírio.

Maria Maria

sexta-feira, 6 de junho de 2008


Personificação

Meu marido acordou
meio gato:

tomou banho de língua,
bebeu leite no prato
e depois lambeu o tacho.

Pensei ser bobagem
acordar-se bem assim.

E eu, com certa delicadeza,
levei dentro da bandeja
meu ratinho de cetim.

Maria Maria

terça-feira, 3 de junho de 2008


Ignorância

Quando abro os olhos,
a dor me parece maior.
Então percebo em desalento
que o escuro, às vezes, é límpido
como o algodão.

Logo, abraço o sol
tal qual as janelas
no alvorecer do dia,
no ermo pardo do Seridó.
E vejo sonolenta:

A ignorância me dói menos.
E penso seriamente
em rasgar meus livros
e meus pensamentos ingênuos.
Penso, mas não o faço!


Maria Maria

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Visão sobre o telhado



Não tenho telhados vermelhos
como Lisboa, ou de vidro
como o Louvre.


Minha arquitetura me permite
apenas ver o não dito sob o telhado
da choupana seridoana.


E tenho uma telha, um talhe
que se entorta a cada pegada de mim,
quando felina.


E tenho, o impossessivo.
O pouco de chuva que respinga
de minhas sendas.


E embora a pena de algum passarinho
desmai sobre meu leito,
tenho no peito, o pouco de mim.


Maria Maria

In Poetas vermelhos

Silêncio

Num ímpeto de buscar
o silêncio, refugiei-me
no útero da palavra.

E o silêncio, de vez!
Rompeu a pele do termo
e pariu-se de si mesmo.

Maria Maria

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Meus pés e a liberdade

Quando meus pés acordam,
ainda limpando os olhos,
conseguem ver o invisível
que se fixa entre o real e o sonho.
Saem serelepes da cama,
entram na velha sandália de asas
e abraçam o mundo, como
se fosse só seu.

À noite, depois de roubar
o viço do dia, correm serpenteando
para seu lugar de aconchego:
lembram das vozes de outros pés,
da imagem de cada rosto,
do jeito sóbrio e lúgubre
de quem se esponja na palavra
o dia inteiro, e diz:

“Quero a extensão da minha liberdade”.
E, entre as letras e os fonemas
dormem o seu sono sagrado.



Maria Maria

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Agora e antes

Havia uma mulher
cigânica,
cavérnica
e
domadora.

Amante
e amada
(pelos cabelos).
Uma mulher
que não usava xampus.

Havia...

A mulher de agora
tem uma calcinha na bolsa,
um sutien de silicone,
uma tatuagem
e não mora numa caverna.

A mulher de agora
é surrealista,
feminista,
liberta, mas
nunca deixará de ser mulher.

Maria Maria

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Poetas


Os poetas
são seres
que ladrilham
sobre a sedução
da palavra.



Maria Maria

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Ponto final

Hoje não me interessa pensar,
nem mesmo pescar algum boto.

Não me interessam as suas agruras,
os seus desconsolos ou soluços roucos.

Chega de tanta mentira,
o meu choro já me basta.
Eu já me basto.

Maria Maria

Foto: http://bonne.intelligence.free.fr/Kamouniak/pastels%20et%20encres/images/tristesse.jpg

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Para a mãe que há em mim

E o tempo avermelhou
naquele turbilhão de calor:

barro se amoldando,
forma se formando,
círculo se arredondando.

A explosão!

Não era o mundo
das grandes descobertas.
Era a descoberta do mundo:

Mães!


Maria Maria
Foto: leiaorotulo.zip.net/images/momAG.JPG

sábado, 3 de maio de 2008

Olhares

Meus livros
vêem o retrato do tempo:
as nuvens em crisálida,
as asas se multiplicando,
o vôo dos sentidos.

Meus livros
olham a janela
e se embriagam
de poeira e luz.

Maria Maria

terça-feira, 29 de abril de 2008

Sem perdão
É assim que me sinto:

partida.

Preciso do encantamento
da próxima palavra,
do êxtase rebelde
do meu coração,
da alegria na alvorada.

Não quero conhecer
a palavra perdão.
Do jeito que erro
e sou refletida na dor,
dos que me afligem;
quero a prisão.

Maria Maria

domingo, 27 de abril de 2008

Para antes

Um cheiro de longe
traz a chuva:

molha a mão
e semeia.

Traz o pão,
mata a sede.

Encharca a alma,
lava o rosto da terra.

Abre os olhos
do tempo.

Um cheiro de longe
carrega-me para antes.


Maria Maria

quarta-feira, 23 de abril de 2008


Sete versos de asas

No passo, entre o espaço
da chuvarada,
segui os passos de Fred Astaire
e vi o que se quer
(mesmo sem querer).
E, numa noite enchuvarada,
tirei o visgo da madrugada.

O lenço meigo
de minha fala
no rouco tom do coração
no chão de ramas
(de alvoradas)
perdi o sono, foi-se o caminho
num leve vôo, na imensidão.
Leitos de sonhos

De rio se enche meu oceano
de águas e claras
re-banho.

Não viro o bote,
derramo
e nado

em leitos de sonhos.


Maria Maria

sábado, 19 de abril de 2008

Serras de Martins


Conhecer Martins no Rio Grande do Norte
foi uma grande alegria para mim e para
a escritora paraibana Maria José Mamede.
Estávamos visitando a cidade e participando
de um projeto educativo promovido pela
Secretaria Municipal de Martins, o que muito
nos honrou, porque tivemos a oportunidade
de conhecer a história de perto, apresentar
nossos livros, compartilhar as experiências
de palavras e se encantar com os valores
humanos e culturais, além de lavar as retinas
com a belíssima imagem das serras que
circundam a região. Foi muito prazeroso para nós.
Agora é a vez dos nossos amigos verem de pertinho
o esplendor da paisagem de lá e sentirem o friozinho
maravilhoso que caracteriza essa parte do nosso estado.

Maria Maria





sexta-feira, 11 de abril de 2008


Os açudes dançam a colheita futura e eu me festejo com flores mornas.

Eu me celebro como os ramos de jurema que se deitam sobre as águas.


Maria Maria

quinta-feira, 10 de abril de 2008


Sonho de moça

Nas madeixas,
margarida.

Na boca,
um carmim.

Nos pés:
sandália de rabicho curtida,
para a novena,
e reza aos domingos.

Na mão,
um rosário azul e branco.

No pensamento,
o encontro junto à porteira.

No desejo:
um rio de águas claras.
E a moça sonhando com um vestidinho
Prêt – à – porter.

sexta-feira, 4 de abril de 2008


Pedra molhada

Sempre que o meu mar
se exila:

pedra molhada,
grão solidão,
areia insone,
pé-de-vento,
porto inseguro,
lua vaga vagueia,
olhar marujo,
flor e bulbo,
osso e cão.

Sempre que o meu mar
se exila...

navego.


Maria Maria

sábado, 29 de março de 2008


Morada 1

Mora em mim
um todo de toda água,
um galho de algaroba
(que navega na enxurrada),
um pingo de orvalho,
Gargalheira em gargalhada.

Maria Maria

domingo, 16 de março de 2008

Pitomba

Aquele caroço de pitomba
travou-me:

engoli o seu afã de ser sempre doce
e lambi o tom opaco de teus dedos,
refiz a textura das minhas linhas
- diagonais-
e chupei,
mordi,
senti,
degluti...

engoli o seu afã de ser sempre doce,
mas nem sempre carrego açucar em minhas veias.

Maria Maria

Foto: Lúcia Passos

sábado, 8 de março de 2008

TRIGO

Só a mulher é trigo,

só seu ventre multiplica,

por isso é eterna!

Maria Maria

quinta-feira, 6 de março de 2008


Asa

Não sei se quero falar da perda da minha asa, da plumagem que dourava no sol e do brilho que resplandecia toda manhã.
Eu vi o sertão acordar em mim, logo que o amarelo-canário apontava no horizonte e vi minhas nuances alçarem vôo num desespero sem fim. Senti meus músculos tremerem no canto oblíquo da boca e uma pequena cachoeira se formando na esquina dos meus olhos. Tudo vi, mas recuei o choro e bloqueei a palavra.
A dor vinha rasgando a estrada como faz uma acauã quando voa rasante pelos caminhos de pedra e volta furando, bicando, abrindo fendas...
Às vezes, há solidões merecidas! E há aquelas que se instalam estrangeiras e fixam moradia por tempo indeterminado. Pior ainda, são as que carregam no braço um pergaminho, contendo os itens a serem observados naquela nova estadia atemporal.
Mas o tempo não é conivente com a solidão. Ele é nômade e livre. E já está na hora de querer a minha asa de volta.


Maria Maria

quarta-feira, 5 de março de 2008


Formato de folha

Tem formato de folha
a língua que falas quando:

à pele dos meus ouvidos dizes sons
de outras línguas orientais,
à boca de minha boca me leva
aos sertões ocidentais.

Quando a língua tem formato
de folha...

Maria Maria

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008


Um tanto miúdo de mim

Estou miúda:
entre a verdade e a ilusão,
entre os dedos-pernas da mão,
entre o inverno e o verão,
entre as notas da canção,
entre o sussurro de um não,
entre o muro e o paredão.

Estou mínina:
de palavra e solidão.

Maria Maria

domingo, 24 de fevereiro de 2008

O BEIJO

De repente a invasão:
corpos, átomos...
Uma troca perfeita,
um momento,
um prazer ,
um ser.

A transformação do corpo,
um efeito,
um jeito.
O peito palpita,
a alma grita,
os olhos clamam,
as mãos chamam,
0 encontro acontece.

As bocas murmuram.
as pernas tremulam ,
o toque,
o choque.
A emoção e o desejo
transpiram no peito.
As portas se abrem,
os lábios se comem
numa só canção

Quero, gosto, espero:
a língua colada à língua,
o sangue pulsando lento,
o cabelo jogado ao vento,
nesse momento-emoção.


Eme Gomes (poemas-beijos)

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Luz do rio

Estou no cio
da meia noite,
na luz que aflora
desse rio.

Estou no cio
do abandono,
na cama insone,
me anuncio.

Maria Maria

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Maria José Gomes [Cônsul - Currais Novos-RN]

Sepultei a borboleta

Sepultei a borboleta!
Meu corpo jaz em silêncio
por sete dias.

As asas em morte,
na pedra opaca do teu tórax,
fazem refrão da melodia.

Sem crisálida,
sem m℮tamorfose,
sou um facho de luz
em agonia.
1º Congresso Mundial de Poetas del Mundo.
Em maio estaremos realizando em Natal o 1º Congresso Mundial de Poetas del Mundo.
http://www.congressopoetasdelmundo.com/menu.htm
A séde Poetas del Mundo é no Chile - mas está espalhada em 100 países. Concretamente.
http://www.poetasdelmundo.com/
Eu os represento aqui no nosso Brasil e nas Américas:
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=600

Luiz Árias Manzo - Secretário Geral de Poetas del Mundo, Deth Haak, representante no RN, o Governo do Estado do RN - da Governadora, do Presidente da Fundação de Cultura do RN , o Poeta Cordelista CRISPINIANO NETO e do Prefeito do Natal e Eu - pretendemos levar - em maio vindouro - na capital Potiguar - uns 1.500 poetas - escritores - Poetas del Mundo ou não - de todas as vertentes, credo, raça e cor...

Venho convida-los - A TODOS - para que venham participar - inscrevendo-se em Poetas del Mundo - através do site http://www.poetasdelmundo.com/ . Para se inscrever entre na página - Clicar bem no cantinho do lado direito onde esta escrito num retangulo preto: EL MANIFESTO que fica no link http://www.poetasdelmundo.com/manifiesto.asp - Clica no manifesto em portugues: http://www.poetasdelmundo.com/verManif_portugues.asp?ID_Manifiesto=129 e prencha.

OBS: - se não conseguirem a inscrição enviem para o meu email delasnievedaspet@gmail.com para que eu providencie a inscrição - junto ao Àrias Manzo, no Chile:
- 1 foto
- 3 poemas
- apresentação
Delasnieve Miranda Daspet de Souza
Sub-Secretária para as Américas e Embaixadora para o Brasil de Poetas del Mundo
http://www.poetasdelmundo.com/verInfo_america.asp?ID=600

domingo, 10 de fevereiro de 2008

O beijo da palavra

O beijo de Tritão
lê os meus fonemas
e ouve meus sons
de sereia.

O beijo de Zeus
em várias línguas,
faz em mim
oceano e areia.

O beijo de Eros
me despe as palavras
e a paixão, em fogo,
me incendeia.

Maria Maria

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

31/01/2008



PROGRAMA "CHÁ DAS SEIS"

Caros Leitores e Leitoras

Nesta última terça-feira (29 de Janeiro de 2008) foi criado o Programa “Chá das Seis” da Rádio CNAGITOS. O programa de rádio via internet será apresentado todas as terças-feiras, depois do carnaval, ás 18h00min no site www.cnagitos.com, é só você acessar e ligar as caixas de som do seu PC.

O programa “Chá das seis” é um projeto inédito, onde toda semana teremos uma boa música e recitais de poesias de poetas curraisnovenses, do Rio Grande do Norte e de poetas famosos do Brasil e do do Mundo. Teremos um informativo semanal de concursos de poesias, atividades culturais e divulgação de Blogs ligados a Cultura. Traremos para vocês ouvintes/internautas em todos os programas uma ótima entrevista com alguma pessoa ligada à cultura que seja da nossa cidade ou esteja visitando Currais Novos para falar um pouco do seu trabalho.

O programa “Chá das Seis” tem como apresentadores Maria José Gomes (Eme Gomes – professora e escritora), Odon Jr (Biomédico e Poeta) e Aristóbulo Lima (Ari – Escritor, cronista, e funcionário público).

Os internautas/ouvintes podem interagir com o programa enviando mensagens, mandando poemas, pedindo músicas e dando sugestões. É só adicionar o MSN radiocnagitos@hotmail.com e mandar sua mensagem.

Na primeiro programa “Chá das Seis”, a entrevistada foi Jarlene Maria, essa artista de multitalentos que está de férias na cidade de Currais Novos, o bate papo foi muito bom!

Escutem os próximos programas e lembrem-se todas as terças-feiras ás 18h00min é só acessar o www.cnagitos.com e conferir um pouco de cultura na Rádio CNAGITOS – Á Rádio sem fronteiras.

Contamos com a participação de todos e todas!

Nas fotos: Jarlene Maria

Sentados: Odon jr., Eme Gomes e Aristóbulo Lima

domingo, 27 de janeiro de 2008



Uma lua para um banho

A lua molha e me olha,
aluada, a lua.

A lua me cobre
sobre a lua tua.

A lua, com sua água Láctea,
me enlua.

A lua lava a minha alma
nua.

Maria Maria

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Sinais

Meu beijo-açúcar
adoça a tua língua.
Tiro as vírgulas
e o teu ponto de interrogação.

Maria Maria

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Sereia


Uma sereia na areia.

Serei eu
feito arrebol?

Uma sereia
serena e sonora.

Serei eu?

Ou serei um grão de areia,
serei
ando à luz do sol?

Maria Maria



sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

(Des) umedece

Boca que desumedece
nessa chuva de você.

Sem saber como e por que
tudo isso me acontece,
faço de mim uma prece
nessa chuva de você.
De caule, luz e poder
onde o corpo se oferece
o êxtase em êxtase padece,
apagando o amanhecer.

Nessa chuva de você
boca que desumedece