sábado, 18 de dezembro de 2010


O gosto da infância

As minhas infâncias
têm cheiro de capim
adoçado com água de chuva.

Tem João, o doido, criando
e recriando-se nas nossas
imagens matinais.

Tem sapatos e roupas novas,
sinos na decoração da casa
e a luz do tempo natalino.

Tem também azedinhas verdes
e ardentes nas tardes em
que o tempo se finda.

Tem a indefinção solitária
da aparência temporal que
se configura em retratos subjetivos.

Tem, enfim, toda a dor e a ausência
e, perene, o verdadeiro sentido
da vida.

Maria Maria

Imagem da net

2 comentários:

Mirze Souza disse...

Lindo, Maria Maria!

Recordar a infância já é poesia, e você o fez de forma majestosa!

Beijos e um FELIZ NATAL

Mirze

José Luis de O Costa disse...

Essa poesia está muito legal, criativo, suas poesias realmente me faz pensar mais sobre o mundo e sobre os velhos tempos.
um abraço