sábado, 2 de agosto de 2008


UTOPIA

Às vezes ser pedra, queria: dura, firme e opaca. Queria ser, em certas temporadas, tão seca como uma folha outonal: stric, stric, stric...! Sem nunca ter sido primavera. Há horas em que eu gostaria de ser vidro para partir-me em fragmentos e deixar-me retesada sem a força do vento, impulsionando-me à frente. Tempo há em que a alma dilacera e o corpo chora, chora mesmo, pelos poros de uma tez amadurecida. E a chuva cai! Granizos rompem telhados que impedem uma noite de amor entre os gatos. Tudo na meia estação ou em um inverno de sentimento gélido, de amores mal amados. Mas, o verão me diz que a minha palavra nua sempre será perdoada e que, com ou sem gatos no telhado, terei uma linda noite de amor com meu parceiro imaginário.

Maria Maria

4 comentários:

Moacy Cirne disse...

Parceiro imaginário: a prosa que se quer poesia. Amores mal amados: palavras bem amadas. Beijos.

meioamargo disse...

inverno: caem amareladas das árvores as folhas e os amores caducos... faz parte.



=*

Mulher na Janela disse...

a prosa e o verso lhe são grandes companheiros!

beijos...

Iara

Jeanne Araujo disse...

gatos pelo telhado? hum...grande idéia! pode mandar que tomo conta de todos! rsrsrsrsrsrs