terça-feira, 12 de maio de 2009


Sobre o tempo no Seridó

Esse rio de efemérides
desemboca nesses tempos
de invernos incomuns.
Nunca vimos nossos espaços mofados,
esse cheiro pesado de guardados,
o vento seco desfiando umidade
como quem desfia um colar de schellita.

Pouco vista é a paisagem verde-bandeira
com guinés, correndo pela caatinga.
E, enfeitando essa imagem,
garças lindamente brancas.
Muito menos se via a água confusa
deitando-se sobre o chão permeável
do Seridó.

O olho da ancestralidade
outrora via um sertão
se metamorfoseando
num imenso mar de águas doces.
E hoje,
eu vejo minha alma
inundada de incertezas.

Maria Maria

Foto: brasilpassaros.blogspot.com

7 comentários:

Moacy Cirne disse...

Sua alma
inundada de incertezas
e o Seridó
inundado de certezas.

Belo poema, o seu,
Menina.

Beijos

Canto da Boca disse...

Quiçá, esses invernos incomuns transbordando o "cheiro pesado de guardado"
estejam a provocar (e a povoar)o outro lado dos guardados? O cheiro da familiaridade,
o cheiro do conhecido, o cheiro da segurança, o cheiro que não amedronta
por se saber como é? Aquele cheiro de todas as nossas memórias, das olfativas às afetivas?
Que é visto por esse olho ancestral? Que sabe que o futuro tem sempre a qualidade de mimético?

Um beijão e lindo poema!
;)

líria porto disse...

beleza, baby - beleza!!!

Lívio Oliveira disse...

O Seridó e as águas...

Oreny Júnior disse...

marrecos
galinhas d'agua
e nós
somos jogados
nessas águas
de incertezas
erodindo chãos
e corações...

belo poema
abração

Oreny Júnior

Patrícia Lara disse...

Maria...

Passando aqui tb (já estive no outro blog que adoro tb) para ler os seus versos lindos.

Vc tem muita sensibilidade! É muito gostoso ler vc!

Abraços e parabéns!

Patrícia Lara

Guru Martins disse...

..."E hoje,
eu vejo minha alma
inundada de incertezas"...

benditas sejam!!
certeza demais
encaretam...

bj