
Sobre o tempo no Seridó
Esse rio de efemérides
desemboca nesses tempos
de invernos incomuns.
Nunca vimos nossos espaços mofados,
esse cheiro pesado de guardados,
o vento seco desfiando umidade
como quem desfia um colar de schellita.
Pouco vista é a paisagem verde-bandeira
com guinés, correndo pela caatinga.
E, enfeitando essa imagem,
garças lindamente brancas.
Muito menos se via a água confusa
deitando-se sobre o chão permeável
do Seridó.
O olho da ancestralidade
outrora via um sertão
se metamorfoseando
num imenso mar de águas doces.
E hoje,
eu vejo minha alma
inundada de incertezas.
Maria Maria
Foto: brasilpassaros.blogspot.com
7 comentários:
Sua alma
inundada de incertezas
e o Seridó
inundado de certezas.
Belo poema, o seu,
Menina.
Beijos
Quiçá, esses invernos incomuns transbordando o "cheiro pesado de guardado"
estejam a provocar (e a povoar)o outro lado dos guardados? O cheiro da familiaridade,
o cheiro do conhecido, o cheiro da segurança, o cheiro que não amedronta
por se saber como é? Aquele cheiro de todas as nossas memórias, das olfativas às afetivas?
Que é visto por esse olho ancestral? Que sabe que o futuro tem sempre a qualidade de mimético?
Um beijão e lindo poema!
;)
beleza, baby - beleza!!!
O Seridó e as águas...
marrecos
galinhas d'agua
e nós
somos jogados
nessas águas
de incertezas
erodindo chãos
e corações...
belo poema
abração
Oreny Júnior
Maria...
Passando aqui tb (já estive no outro blog que adoro tb) para ler os seus versos lindos.
Vc tem muita sensibilidade! É muito gostoso ler vc!
Abraços e parabéns!
Patrícia Lara
..."E hoje,
eu vejo minha alma
inundada de incertezas"...
benditas sejam!!
certeza demais
encaretam...
bj
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